domingo, 6 de agosto de 2017

{Eu Li} Amor entre Guerras - Marianne Nishihata

Mais do que uma simples história de amor


Quando eu encontrei este livro nas gondolas da Livraria Saraiva em janeiro, não imaginava que iria me envolver tanto com a história contida em suas mais de 200 páginas. No entanto, me encantei com a proposta de um livro sobre o amor de um soldado da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e uma jovem carioca, mas, não trouxe o livro pra casa daquela vez.

Da segunda vez em que nos cruzamos, tive a certeza que precisava trazê-lo e assim o fiz, colocando "Amor entre guerras" na minha lista de leitura prioritária para 2017. Demorei um pouco pra chegar até suas páginas, porém, me apaixonei pela escrita da jornalista Marianne Nishihata e também me identifiquei com a forma como a história de Alberto Tomiyo Yamada e Ilma Faria chegou até ela. Tudo aconteceu durante o processo de elaboração do TCC de Marianne, que visava falar sobre os homens de origem japonesa que lutaram durante a Segunda Guerra na FEB e assim, ela conheceu o cabo Yamada e posteriormente soube de toda história que envolveu seu romance "proibido" com Ilma e assim, alguns anos depois, finalmente Marianne transformou um esboço pós TCC em um livro que fala de amor, preconceito, fé e de quebra traz um panorama interessante e rico sobre a vida da comunidade Nipônica no Brasil depois que o país declarou apoio aos EUA e entrou no conflito.



Ilma Faria era uma jovem carioca que acabara de chegar a uma cidade totalmente diferente. Saia de seu amado Rio de Janeiro para passar alguns dias em Mogi das Cruzes, cidade nos arredores da capital Paulistana, rever o pai que havia sido transferido e aproveitar as festas de final de ano em família. O que a jovem não esperava era que esta viagem mudaria sua vida para sempre já nos primeiros momentos após desembarcar na estação de trem de Mogi. Lá, sua irmã mais nova, Isa, percebeu que um jovem japonês a olhava de maneira intensa e chamou a atenção de Ilma, porém, esta não se atentou ao rapaz oriental e continuou a ajudar seus pais na difícil tarefa de organizar os pertences e os filhos mais novos.

Dias depois, na missa do Natal, eis que Ilma cruzaria novamente com o rapaz da estação e notaria seus traços fisionômicos melhor, entretanto, ainda não seria o dia em que Ilma e Tomiyo trocariam suas primeiras palavras. Este momento ficou reservado para uma tarde em janeiro, onde, a jovem precisaria dos serviços da Farmácia Yamada para tratar de um resfriado e seria prontamente medicada pelo auxiliar da farmácia, o japonês Alberto Tomiyo Yamada. 

Ao desenrolar da história, vamos acompanhando todo desenrolar deste amor que além de enfrentar a Segunda Gerra Mundial, também teria que lidar com os problemas causados por sua diferença étnica racial, já que a família de Tomiyo era tradicionalista e não desejava ter gaijins* em sua árvore genealógica. 



O que achei mais legal é que a narração é feita de maneira envolvente. Ora temos uma perspectiva feita na primeira pessoa, com diálogos entre os personagens, ora temos uma narração feita na terceira pessoa, apresentando uma perspectiva externa sobre os momentos que eram compartilhados através de cartas, por Ilma e Tomiyo. Aliás, vale dizer que é justamente nestes momentos em que a narrativa assume a postura de observador que a gente tem acesso a alguns pontos interessantes sobre a sociedade da época e panoramas históricos  interessantes como o racionamento de farinha de trigo, que deu origem ao famoso pão de milho. 

Achei que a autora acertou em cheio ao trazer estes dados para o romance, por justamente quebrar a idealização de história de amor ala conto de fadas e assim, situar o leitor sobre um período extremante importante da história mundial e pouco discutido no processo de escolarização nacional, no aspecto da participação do Brasil, ou melhor, da FEB na Grande Guerra. Poucos brasileiros sabem do tanto que nossos pracinhas foram importantes para libertar algumas cidades italianas  e que estas, diferentemente do que ocorro no nosso país, engradecem os jovens soldados brasileiros que perderam suas vidas e deram seu sangue para ajudá-los. 

Sou fascinada pela história da FEB e alguns até sabem o porquê: meu avô materno foi para a guerra e apesar de ter sobrevivido, não cheguei a conhecê-lo, porém, esta história ficou guardada na minha mente e quando tive idade e estava no período escolar propício para entender a dimensão de tudo isso, passei a admirar ainda mais o meu avô e todos os homens que estiveram na Itália entre 1944 e 1945, lutando ao lado dos americanos.  É por causa de toda esta história familiar que escolhi fazer jornalismo e assim como a Marianne, tinha o projeto de fazer algo contando a história desses homens, porém, o meu projeto nunca se desenvolveu (um dia ele sai), entretanto, o da Marianne rolou e ficou incrível.

Eu sou exigente com livros que narram histórias reais, ainda mais, quando são histórias da Segunda Guerra. Não é uma escrita fácil, porque envolvem várias questões políticas e étnicas, mas, quando a gente tem a sorte de pegar um livro que sabe trabalhar bem o emocional dos fatos e te preenche com dados interessantes, a leitura flui e fixa melhor. A gente acaba tendo mais prazer em se envolver com os personagens e as situações pelas quais passaram. Foi assim que me envolvi plenamente com Tomiyo e Ilma, desde a fé da moça de que seu noivo voltaria com vida da guerra, até a do rapaz que até então tão tinha uma religião, passou a ter e crer piamente em Santa Terezinha. 

Viajei tranquilamente por todos os capítulos que reversavam o dia a dia de Ilma com o de Yamada no quartel, no navio e até a Guerra. As cartas que o casal troca, ajuda muito a entender todo o amor que eles tinham um pelo outro. Em quatro anos de relacionamento pré casamento, o cabo Yamada jamais beijou sua doce Ilma e em momento algum, ele pensou em desistir dela ou que ela desistiria dele, como tantas outras jovens fizeram com os namorados, noivos e maridos que haviam partido. É lindo e com certeza você também vai se encantar, sonhar e torcer por Ilma e Tomiyo. 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita!!!


SENTIDO CONTRÁRIO - 2015. Todos os direitos reservados.
Tecnologia do Blogger